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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Tour de France: a historia da AGS (parte 3)

Continuamos mais um capitulo do Tour de France, a serie sobre a equipe AGS. Hoje falando sobre a temporada de 1987, onde pouco mudou...

Mudou?... NÃO!
Em 1987, foi feito um esforço grande, porem a equipe ainda era a mesma coisa. O carro era o JH22, o mesmo carro de 1986, porem com um motor aspirado Cosworth DFZ. O piloto era o novato Pascal Fabre, que havia pilotado muito com os Formula 2 e Formula 3000 da AGS, ele tinha a confiança da equipe, e conseguia terminara as corridas (o que era ótimo para um carro de 1983 disputando a temporada de 1987), tanto que terminou nove das catorze etapas que disputou pela equipe, mas nunca disputando pontos, sendo que a melhor posição dele com a AGS foi dois nonos lugares na França e na Inglaterra, sendo que não se qualificou para três das etapas. Isso não era suficiente para a equipe, e Fabre saiu da equipe, dessa vez para não voltar.

Pascal Fabre se arrastando com a AGS em Monaco.
Quem trouxeram apara correr na equipe, foi lá o ''guerreiro'' Roberto Moreno (que não pilotava na Formula 1 desde 1982). Com Moreno a equipe foi para frente e conseguiu marcar seu primeiro ponto, em Adelaide. Porém, ali era fim de temporada. E Moreno, o responsável pelo primeiro ponto da AGS foi chutado da equipe... e foi substituído por outro piloto com mais patrocinadores. E Moreno (como qualquer um que estivesse no lugar dele) não gostou disso, mas não restou muita coisa, e Moreno se foi para a Formula 3000, onde foi campeão em 1988.

Moreno conseguiu tirar água de pedra da AGS e fazer o primeiro ponto da equipe...
A AGS até que se deu bem na temporada de 1987, conseguiu ficar no páreo da Ligier (mais bem financiada que a AGS, porém em 1987 foi o começo da queda da equipe) e da March (que retornou com sua equipe, que não corria desde a temporada de 1982).

...porém, isso não evitou que fosse chutado da equipe, mas foi melhor para ele, que se boleou  para a Formula 3000 e foi  campeão da categoria.

Em 1988, finalmente alguma coisa mudaria na AGS, mas isso só sera discutido no próximo post...

E continua o Tour de France...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tour de France: a historia da AGS (parte 2)

Continuamos (depois de uma grande pausa)o Tour de France a serie sobre a AGS, hoje falando sobre como tudo começou na Formula 1.

Didier Pironi testando a AGS.

No inicio do verão de 1986, foi anunciado que a AGS começaria sua primeira temporada na Formula 1 no GP da Itália, em Monza. Mas a coisa não era muito boa, a estrutura da equipe era meio bizarra, contando piloto e pessoal, só havia oito pessoas e tinha como base, a antiga Garage d'Avenir, em Gonafron. Comparando com a situação de uma McLaren, Williams ou Ferrari, que tinham o staff muitas vezes maior, a AGS era irrisória.

De todos que tem ai, só oito são da AGS, o resto é tudo penetra.
A AGS apareceu aquele ano com um carro projetado por Christian Vanderpleyn. O AGS JH21C era uma mistura de um chassis Renault RE40 e algumas peças da Renault (muito usadas) e peças do ultimo F3000 da AGS. O carro era tão ''alternativo'' (para não dizer outra coisa), que o piso do carro era feito de madeira (p*rra, madeira?! não tinham outro material melhor). E para piorar, o carro era equipado com um já bem usado motor Motori Moderni V6 Turbo e foi pilotado pelo novato Ivan Capelli.

Ivan Capelli se virando com o JH21C
No inicio da temporada, Didier Pironi testou o AGS em Paul Ricard. Pironi não pilotava desde 1982, quando se acidentou no GP da Alemanha e esmigalhou as pernas. Quando pilotou com a AGS, viu que não tinha mais pique para correr na Formula 1, acabou por escolher ir pilotar barcos, e morreu em 1987, fazendo isso.

Capelli penou com o velho chassi da AGS
Capelli teve que se virar, na Italia, a AGS não pontuou nas duas etapas. Em Monza, Ivan Capelli abandonou na volta 31, por uma problema no motor e em Portugal abandonou na volta 6, por um problema no já bem velho cambio Renault. A AGS decidiu não disputar as duas ultimas etapas, para concentrar esforços para o outro ano. E em 1987, nem tudo mudaria...  mas isso só sera visto no próximo capitulo.

E continua o Tour de France...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tour de France: a historia da AGS (Parte 1)

Estava planejando essa serie desde que estava escrevendo a da Andrea Moda, a pedidos do Gabriel Santos, sai agora a historia da AGS.

E que comece o Tour de France!


A AGS foi fundada em um dia, pelo mecânico Henri Julien, que era dono de uma mecânica, chamada ''Garage de l'avenir'', em Gonafron, uma cidadezinha cravada no meio da França. Nos anos 50, Julien participou de algumas corridas, em categorias regionais na França, porem, não pilotava muito bem, mas tinha uma habilidade incrível com mecânica, e com o conhecimento técnico que ganhou nas categorias, ele começou a construir seus próprios carros.

Henri Julien (esquerda), nos tempos de Formula 2
Em 1969, ele construiu o primeiro carro, o AGS JH1, era um monoposto pequeno, da Formule France. O carro foi desenhado por um aprendiz de Julien, o mecânico belga Christian Vanderpleyn (que ficaria na equipe até 1988). Após isso, a AGS começou a fabricar seus próprios carros de Formula 3, eram carros bem avançados, mas não eram páreos a os Martinis, que dominavam a Formula 3 naqueles tempos.

AGS JH15, um desafio na Formula 2 Europeia
Em 1978, Julien tomou coragem e deu um passo a frente, e inscreveu a pequena equipe na Formula 2 Europeia. Foi um desafio para a AGS, que criou o AGS JH15 (equipado com um motor BMW), que foi projetado, construido por Christian Vanderpleyn e pilotado por Jose Dolhein e Richard Dallest. Competiu a temporada de 1978 e 1979 com este carro, e não pontuou nas duas temporadas.

AGS JH17,  os primeiros pontos da AGS na Formula 2
Em 1980, a AGS fabricou outro carro, bem mais avançado que o já antigo JH15, o JH17, tinha a aerodinâmica bem melhor que do JH15, bem mais leve, porem o motor ainda era o BMW. Com este carro e tendo o experiente Richard Dalliest como piloto, venceram em Pau e Zandvoort, tirando um 6º no campeonato, com 23 pontos.
Em 1981, eles tinham o AGS JH18, que era um JH17 maior, com poucas modificações no chassis e na aerodinâmica, o motor era o mesmo BMW e o piloto era ainda o Daliest. Mas o carro não surtia o mesmo efeito que dava em 1980, Daliest terminou em 17º, com 4 pontos. Com isso, houve uma modificação na AGS, Ricahrd Daliest saiu da equipe e entrou Philippe Streiff e Pascal Fabre

AGS JH19, depois de três versões, o carro ficou bom.
1982, tinham pilotos, e o carro? Era o JH19, muito parecido com o JH18, porem o que modificou foi o chassis, que foi melhorado do original, o motor era o BMW. Nos comandos de Philippe Streiff, o carro era ótimo, pontuando em Thruxton, Spa, Donnington e Enna-Pergusa, porem o Fabre... quando dava certo, pilotava bem, conseguia marcar pontos, mas quando as coisas davam errado, davam muito errado, tanto que abandonou, ou não pontuou em maioria das corridas, só pontuando em Mantorp Park e Vallelunga. No fim, Streiff terminou em 6º, com 22 pontos e Fabre terminou em 15º, com 5 pontos. Com isso Fabre saiu, mas voltaria...

AGS JH19C, o ultimo a vencer na Formula 2
Em 1983, eles contrataram Fulvio Maria Ballabio como 2º piloto, e carro também estava diferente, o JH19B tinha poucas modificações aerodinâmicas do JH19, principalmente na carenagem do motor, o motor ainda era aquele velho BMW. Esse ano foi ótimo para a pequena equipe, que terminou com Philippe Streiff em 4º, com 25 pontos, tendo tirado um segundo lugar em Enna-Pergusa, já o Ballabio, terminou como sempre, em 17º, com 3 pontos, ninguém gostou disso (bem dizendo que ninguém gostava do Ballabio), chutaram Ballabio e colocaram Pascal Fabre de novo.

1984, a ultima temporada da Formula 2, e definidamente, esse foi o melhor ano da AGS, ela foi inspirada aquele ano, tendo os pilotos que tinham, a equipe estava ótima. O carro tinha alcançado o máximo, o JH19C foi somente os acertos aerodinâmicos do JH19B, que foram a asa dianteira retirada e o afinamento do bico, e a asa traseira, que foi modificada, sem mais, era o mesmo do JH19B. Naquele ano, Streiff teve que se contentar a disputar o 3º lugar com Michel Ferté, e mesmo assim, ficou em 4º, com 27 pontos, 2 pontos a menos que Ferté, mas quem assustou mesmo aquele ano foi Pascal Fabre, que pilotou muito bem o campeonato inteiro, e chegou a vencer uma corrida, em Hockenheim, e terminou o campeonato em 8º, com 13 pontos. Um adendo, a AGS foi a ultima equipe a ganhar um GP na Formula 2, em Brands Hatch, com Phillippe Streiff. A Formula 2acabou, e agora, o que restava? Ir para a Formula 3000.

AGS JH20, a unica deles na F-3000

1985, a AGS mudou radicalmente de categoria, agora era a Formula 3000, tinha o regulamento muito diferente da Formula 2, tanto que o carro, o JH20, não foi feito pela AGS, foi feito pela Duqueine, era uma carro completamente diferente do que o pessoal da AGS conhecia da Formula 2, era mais avançado, tinha uma aerodinamica boa, e o motor era um Cosworth DFV, bem diferente do BMW que usavam na Formula 2. O já experiente Philippe Streiff pilotava na equipe, mas foi um retrocesso, Streiff terminou o campeonato em 8º, com 12 pontos, porém, Henri Julien não estava contente com o regulamento e a organização do novo campeonato, e saiu da Formula 3000 no fim da temporada de 1985. Aí ele pensou em dar o primeiro passo para a Formula 1.

A Formula 1, saberão no próximo capitulo, mas podem esperar três coisas, staff pequeno, peças usadas de Formula 3000 e madeira.