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quarta-feira, 27 de junho de 2012

Tour de France: a historia da AGS (parte 3)

Continuamos mais um capitulo do Tour de France, a serie sobre a equipe AGS. Hoje falando sobre a temporada de 1987, onde pouco mudou...

Mudou?... NÃO!
Em 1987, foi feito um esforço grande, porem a equipe ainda era a mesma coisa. O carro era o JH22, o mesmo carro de 1986, porem com um motor aspirado Cosworth DFZ. O piloto era o novato Pascal Fabre, que havia pilotado muito com os Formula 2 e Formula 3000 da AGS, ele tinha a confiança da equipe, e conseguia terminara as corridas (o que era ótimo para um carro de 1983 disputando a temporada de 1987), tanto que terminou nove das catorze etapas que disputou pela equipe, mas nunca disputando pontos, sendo que a melhor posição dele com a AGS foi dois nonos lugares na França e na Inglaterra, sendo que não se qualificou para três das etapas. Isso não era suficiente para a equipe, e Fabre saiu da equipe, dessa vez para não voltar.

Pascal Fabre se arrastando com a AGS em Monaco.
Quem trouxeram apara correr na equipe, foi lá o ''guerreiro'' Roberto Moreno (que não pilotava na Formula 1 desde 1982). Com Moreno a equipe foi para frente e conseguiu marcar seu primeiro ponto, em Adelaide. Porém, ali era fim de temporada. E Moreno, o responsável pelo primeiro ponto da AGS foi chutado da equipe... e foi substituído por outro piloto com mais patrocinadores. E Moreno (como qualquer um que estivesse no lugar dele) não gostou disso, mas não restou muita coisa, e Moreno se foi para a Formula 3000, onde foi campeão em 1988.

Moreno conseguiu tirar água de pedra da AGS e fazer o primeiro ponto da equipe...
A AGS até que se deu bem na temporada de 1987, conseguiu ficar no páreo da Ligier (mais bem financiada que a AGS, porém em 1987 foi o começo da queda da equipe) e da March (que retornou com sua equipe, que não corria desde a temporada de 1982).

...porém, isso não evitou que fosse chutado da equipe, mas foi melhor para ele, que se boleou  para a Formula 3000 e foi  campeão da categoria.

Em 1988, finalmente alguma coisa mudaria na AGS, mas isso só sera discutido no próximo post...

E continua o Tour de France...

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tour de France: a historia da AGS (parte 2)

Continuamos (depois de uma grande pausa)o Tour de France a serie sobre a AGS, hoje falando sobre como tudo começou na Formula 1.

Didier Pironi testando a AGS.

No inicio do verão de 1986, foi anunciado que a AGS começaria sua primeira temporada na Formula 1 no GP da Itália, em Monza. Mas a coisa não era muito boa, a estrutura da equipe era meio bizarra, contando piloto e pessoal, só havia oito pessoas e tinha como base, a antiga Garage d'Avenir, em Gonafron. Comparando com a situação de uma McLaren, Williams ou Ferrari, que tinham o staff muitas vezes maior, a AGS era irrisória.

De todos que tem ai, só oito são da AGS, o resto é tudo penetra.
A AGS apareceu aquele ano com um carro projetado por Christian Vanderpleyn. O AGS JH21C era uma mistura de um chassis Renault RE40 e algumas peças da Renault (muito usadas) e peças do ultimo F3000 da AGS. O carro era tão ''alternativo'' (para não dizer outra coisa), que o piso do carro era feito de madeira (p*rra, madeira?! não tinham outro material melhor). E para piorar, o carro era equipado com um já bem usado motor Motori Moderni V6 Turbo e foi pilotado pelo novato Ivan Capelli.

Ivan Capelli se virando com o JH21C
No inicio da temporada, Didier Pironi testou o AGS em Paul Ricard. Pironi não pilotava desde 1982, quando se acidentou no GP da Alemanha e esmigalhou as pernas. Quando pilotou com a AGS, viu que não tinha mais pique para correr na Formula 1, acabou por escolher ir pilotar barcos, e morreu em 1987, fazendo isso.

Capelli penou com o velho chassi da AGS
Capelli teve que se virar, na Italia, a AGS não pontuou nas duas etapas. Em Monza, Ivan Capelli abandonou na volta 31, por uma problema no motor e em Portugal abandonou na volta 6, por um problema no já bem velho cambio Renault. A AGS decidiu não disputar as duas ultimas etapas, para concentrar esforços para o outro ano. E em 1987, nem tudo mudaria...  mas isso só sera visto no próximo capitulo.

E continua o Tour de France...

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Tour de France: a historia da AGS (Parte 1)

Estava planejando essa serie desde que estava escrevendo a da Andrea Moda, a pedidos do Gabriel Santos, sai agora a historia da AGS.

E que comece o Tour de France!


A AGS foi fundada em um dia, pelo mecânico Henri Julien, que era dono de uma mecânica, chamada ''Garage de l'avenir'', em Gonafron, uma cidadezinha cravada no meio da França. Nos anos 50, Julien participou de algumas corridas, em categorias regionais na França, porem, não pilotava muito bem, mas tinha uma habilidade incrível com mecânica, e com o conhecimento técnico que ganhou nas categorias, ele começou a construir seus próprios carros.

Henri Julien (esquerda), nos tempos de Formula 2
Em 1969, ele construiu o primeiro carro, o AGS JH1, era um monoposto pequeno, da Formule France. O carro foi desenhado por um aprendiz de Julien, o mecânico belga Christian Vanderpleyn (que ficaria na equipe até 1988). Após isso, a AGS começou a fabricar seus próprios carros de Formula 3, eram carros bem avançados, mas não eram páreos a os Martinis, que dominavam a Formula 3 naqueles tempos.

AGS JH15, um desafio na Formula 2 Europeia
Em 1978, Julien tomou coragem e deu um passo a frente, e inscreveu a pequena equipe na Formula 2 Europeia. Foi um desafio para a AGS, que criou o AGS JH15 (equipado com um motor BMW), que foi projetado, construido por Christian Vanderpleyn e pilotado por Jose Dolhein e Richard Dallest. Competiu a temporada de 1978 e 1979 com este carro, e não pontuou nas duas temporadas.

AGS JH17,  os primeiros pontos da AGS na Formula 2
Em 1980, a AGS fabricou outro carro, bem mais avançado que o já antigo JH15, o JH17, tinha a aerodinâmica bem melhor que do JH15, bem mais leve, porem o motor ainda era o BMW. Com este carro e tendo o experiente Richard Dalliest como piloto, venceram em Pau e Zandvoort, tirando um 6º no campeonato, com 23 pontos.
Em 1981, eles tinham o AGS JH18, que era um JH17 maior, com poucas modificações no chassis e na aerodinâmica, o motor era o mesmo BMW e o piloto era ainda o Daliest. Mas o carro não surtia o mesmo efeito que dava em 1980, Daliest terminou em 17º, com 4 pontos. Com isso, houve uma modificação na AGS, Ricahrd Daliest saiu da equipe e entrou Philippe Streiff e Pascal Fabre

AGS JH19, depois de três versões, o carro ficou bom.
1982, tinham pilotos, e o carro? Era o JH19, muito parecido com o JH18, porem o que modificou foi o chassis, que foi melhorado do original, o motor era o BMW. Nos comandos de Philippe Streiff, o carro era ótimo, pontuando em Thruxton, Spa, Donnington e Enna-Pergusa, porem o Fabre... quando dava certo, pilotava bem, conseguia marcar pontos, mas quando as coisas davam errado, davam muito errado, tanto que abandonou, ou não pontuou em maioria das corridas, só pontuando em Mantorp Park e Vallelunga. No fim, Streiff terminou em 6º, com 22 pontos e Fabre terminou em 15º, com 5 pontos. Com isso Fabre saiu, mas voltaria...

AGS JH19C, o ultimo a vencer na Formula 2
Em 1983, eles contrataram Fulvio Maria Ballabio como 2º piloto, e carro também estava diferente, o JH19B tinha poucas modificações aerodinâmicas do JH19, principalmente na carenagem do motor, o motor ainda era aquele velho BMW. Esse ano foi ótimo para a pequena equipe, que terminou com Philippe Streiff em 4º, com 25 pontos, tendo tirado um segundo lugar em Enna-Pergusa, já o Ballabio, terminou como sempre, em 17º, com 3 pontos, ninguém gostou disso (bem dizendo que ninguém gostava do Ballabio), chutaram Ballabio e colocaram Pascal Fabre de novo.

1984, a ultima temporada da Formula 2, e definidamente, esse foi o melhor ano da AGS, ela foi inspirada aquele ano, tendo os pilotos que tinham, a equipe estava ótima. O carro tinha alcançado o máximo, o JH19C foi somente os acertos aerodinâmicos do JH19B, que foram a asa dianteira retirada e o afinamento do bico, e a asa traseira, que foi modificada, sem mais, era o mesmo do JH19B. Naquele ano, Streiff teve que se contentar a disputar o 3º lugar com Michel Ferté, e mesmo assim, ficou em 4º, com 27 pontos, 2 pontos a menos que Ferté, mas quem assustou mesmo aquele ano foi Pascal Fabre, que pilotou muito bem o campeonato inteiro, e chegou a vencer uma corrida, em Hockenheim, e terminou o campeonato em 8º, com 13 pontos. Um adendo, a AGS foi a ultima equipe a ganhar um GP na Formula 2, em Brands Hatch, com Phillippe Streiff. A Formula 2acabou, e agora, o que restava? Ir para a Formula 3000.

AGS JH20, a unica deles na F-3000

1985, a AGS mudou radicalmente de categoria, agora era a Formula 3000, tinha o regulamento muito diferente da Formula 2, tanto que o carro, o JH20, não foi feito pela AGS, foi feito pela Duqueine, era uma carro completamente diferente do que o pessoal da AGS conhecia da Formula 2, era mais avançado, tinha uma aerodinamica boa, e o motor era um Cosworth DFV, bem diferente do BMW que usavam na Formula 2. O já experiente Philippe Streiff pilotava na equipe, mas foi um retrocesso, Streiff terminou o campeonato em 8º, com 12 pontos, porém, Henri Julien não estava contente com o regulamento e a organização do novo campeonato, e saiu da Formula 3000 no fim da temporada de 1985. Aí ele pensou em dar o primeiro passo para a Formula 1.

A Formula 1, saberão no próximo capitulo, mas podem esperar três coisas, staff pequeno, peças usadas de Formula 3000 e madeira.


sábado, 5 de maio de 2012

Andrea Moda: Parte 7

Finalmente, depois de muito tempo, terminamos a serie sobre a passagem da Andrea Moda na Formula 1, hoje falando do pós-Andrea Moda, o que aconteceu com todos os envolvidos na historia.

A Andrea Moda tinha mais patrocinadores que a Sauber em 2010 
E agora Sasseti? O sonho acabou? Que nada! Ele queria voltar em 1993. Mas como?! Ele teve um das piores (se não a pior) atuações da historia da Formula 1 e ainda por cima queria voltar?!
Sasseti ficou entusiasmado, porque Nick Wirth, tinha um carro novo e bom para ele (novo até poderia ser, mas bom?!), o Andrea Moda S931, para a temporada de 1993. Dessa vez, Sasseti foi inteligente e não caiu no conto do vigário, mas Jean-Pierre Mosnier caiu, o que aconteceu depois vocês sabem.

Davy Jones, com um Lola patrocinado pela Andrea Moda, na Indy 500 de 1993
Sim, a Andrea Moda saiu da Formula 1, mas não do Automobilismo. A empresa do Sasseti estampou seu simbolo no macacão e nas laterais do Lola-Chevrolet T92/00 #50 de Davy Jones na Indy 500 de 1993. A prova foi vencida por Emerson Fittipaldi na Penske, Jones terminou a prova em 15º, 3 voltas atras do líder, ele corria pela Euromotorsports.

Perry McCarthy em Monaco
E hoje, o que o pessoal da Andrea Moda esta fazendo?

Andrea Sassetti
A revista Autosprint, publicou em 2007 uma entrevista com Andrea Sassetti, que o estilista/dono de equipe disse que ainda tem dois chassis guardados em casa, e que pretende leva-los a Goodwood Festival of Speed. Já imaginou, as duas Andrea Moda correndo em Goodwood (e provavelmente quebrando lá mesmo), eu iria até lá ver isso pessoalmente.

Roberto Moreno
 E o Moreno, como foi? Ele pilotou na Forti-Corsi em 1995, depois fez varias temporadas na CART, onde chegou a vencer algumas corridas, após isso, ele pilotou na Indy, até 2008, hoje, ele é empresario de novos pilotos.

Perry McCarthy

E o McCarthy? Em 1991, ele tinha feito testes na Footwork, depois da passagem pela Andrea Moda, ele fez testes pela Williams e pela Benetton, após isso, pilotou nas 24h de Le Mans de 1996 até 2003, depois, ele foi o primeiro ''The Stig'' do programa Top Gear. Hoje ele dá palestras pelo mundo todo.

E ai termina a serie da Andrea Moda na Formula 1, sua pequena passagem proporcionou algumas das maiores bizarrices da historia da Formula 1. O que vem depois, verão... 

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Andrea Moda: Parte 6

A Moda esta no fim, mas continuo a serie sobre a participação da Andrea Moda na Formula 1. Hoje, sobre seus ultimos GP´s e as ultimas bizarrices.

Moreno com o Moda limpo na Alemanha
Na Alemanha, outra bizarrice, esta impensável. Perry McCarthy ficou de novo nos boxes jogando Super Nintendo (ou Mega Drive, mas se bobear, devia ser um Atari 2600), foi desclassificado, até ai normal... mas ele foi desclassificado por não participar da pesagem oficial!
Enquanto McCarthy estava desclassificado, nos pits, Moreno sentava a bota no Andrea Moda, que por mais que o piloto tirasse tudo do carro, ele não passava Andrea Chiesa e sua Fondmetal, dessa vez ele ficou a décimos de segundo do piloto suiço. Isso prova que Roberto Moreno tirava tudo do carro.

Moreno na Hungria, agora com patrocínio da Industrie Regione Marche
 Era fato, qualquer ''tia'' que desse um prato de comida para a equipe, tinha seu nome escrito em letras garrafais na carenagem do motor. Dessa vez era a Industrie Regione Marche que estava lá.
Na Hungria, eles tinham boas noticias, havia um piloto a menos no grid, Andrea Chiesa saiu da Fondmetal e Eric de van Poele sai da Brabham para pilotar na equipe italiana, e ninguém pegou a vaga de Van Poele na equipe. Com um carro a menos no grid, um carro da Moda ira ocupar o espaço no grid de Hungaroring, e quem vai ir? Acho que já sabem a resposta.

Isso sim é momento raro, McCarthy pilotando a Moda.
Sasseti, ainda chateado com a FISA, que não deixou trocar Perry McCarthy por Enrico Bertaggia e ainda por cima fez o perder muito dinheiro, começou a descontar tudo isso em cima do McCarthy. Mas na Hungria ele sacaneou bonito com o cara, na Hungria, seguraram ele nos pits muito tempo, só liberaram a 45s de terminar os treinos, McCarthy não fez nem uma volta e teve que voltar para os boxes.

Percebam, mas Andrea Sasseti (o da esquerda) esta completamente desolado
Tirando o que pode (e o que não pode) do carro, Moreno ''voa'' em Hungaroring, e fica a 6s do pole, Ricardo Patrese. Porem, aquele dia, a FISA deu um ultimato a Sasseti, ''Ou dão as mesmas condições para McCarthy, ou o excluímos do campeonato''.

Perry McCarthy na Belgica, com grande chance de se ''espatifar'' com o carro na Eau Rouge.
Em Spa-Francochamps, a Andrea Moda colocou os dois carros nos treinos de sábado (!), e não porque McCarthy fez um bom tempo, é porque a Brabham, após o GP da Hungria, abandonou a Formula 1, obviamente, Moreno e McCarthy ficaram no fundão do grid, McCarthy ficou a 10s de Moreno, e ele tinha um carro bom. Mas carro bom, para a Andrea Moda era um carro cheio de remendos e peças usadas do carro do Moreno, isso fez McCarthy quase protagonizar uma tragedia, eu digo QUASE, o próprio McCarthy ira explicar:

''Eu cheguei desesperadamente na Eau Rouge tentando faze-la em ''flat'', e o braço da direção teve uma flexão. Eu continuo não acreditando como consegui passar por aquela curva. Quando cheguei para falar com os mecanicos, eles disseram: Sim, nós sabemos, retiremos estas peças usadas do carro que o Moreno usou lá na Hungria.''

                                                                                                    Perry McCarthy


As coisas estavam ruins na pista, estavam piorando cada vez mais fora delas, Sasseti foi preso na Belgica por emitir notas fiscais frias. A FISA suspendeu por tempo indeterminado a equipe, alegando que mancha a seriedade do esporte. É terminada a passagem da Andrea Moda na Formula 1, mas será que a serie acabou? Veremos...


segunda-feira, 30 de abril de 2012

Andrea Moda: Parte 5

Continuando (depois de quase um mês), a serie sobre a participação (e que participação) da Andrea Moda na Formula 1. Hoje falando sobre o ''pos-monaco'', que aconteceu depois do ''milagre de Moreno'' e o começo do fim para a Moda.

Racing Team recomenda: não use pneus de chuva em pista seca
 As bizarrices voltaram, e bem mais fortes do que nunca.
Festejando que finalmente seu carro correu bem, Sasseti foi para costa leste da Itália (Mar Adriático), onde ele tinha um boate, porem, aquela noite, a boate seria destruída por um incêndio criminoso. Na fuga do incêndio, um franco-atirador disparou contra Sasseti, não o acertou, mas o susto estava dado.

No Canada, a Moda, tinha tudo, menos o motor.

Após o susto, a equipe ''zarpou'' para o Canada. Chegando lá, tudo havia chegado, pilotos, equipe, mecânicos, chassis, pneus, tudo... menos os motores.
Oficialmente, a equipe disse que os motores não chegaram por causa de uma falha na rede elétrica na British Airways, que impediu que o Boeing 747 que estava carregando os motores, fosse carregado totalmente e chagasse a o Canada a tempo. Mas não foi bem assim... alguns diziam que Sasseti não teria pagado a Judd, que não forneceu os motores. Sasseti teve que conseguir um motor emprestado da Brabham, que, naquela temporada, usava o mesmo motor.

Mesmo sem pilotar, Perry McCarthy continuava sorridente (vemos que a  Balaclava serve para varias coisas)
Como tradição, as equipes brincavam na  raia olímpica de Montreal com um barco/cockpit. Mas nem para isso a Andrea Moda prestava, o barco simplesmente afundou!
Na corrida, nada mudava, o carro deu quatro voltas e o motor emprestado foi pro saco, o carro ficou 14s atras de Andrea Chiesa, piloto da Fondmetal.

Sasseti ficou sem seu ''braço direito''

Voltando a Europa, dois GP´s, França (Magny-Cours) e Inglaterra (Silverstone), já na França, estavam sem chefe de equipe, Frederic Dhainault se demitiu para se concentrar em um futuro projeto de equipe (a Dhainault, não de certo, obviamente), mas isso não faria muita diferença.

Moreno em Silverstone (agora chegaram!)
Para piorar, uma greve dos caminhoneiros fechou as principais estradas francesas, uma delas, indo para Magny-Cours, todas as equipes pegaram um atalho... menos a Andrea Moda, que ficou presa em um engarrafamento, não participaram do GP da França.

É isso que acontece quando se usa pneu de chuva em pista seca
Dois GP´s sem aparecer era demais para os patrocinadores, então em Silverstone, eles vieram sem patrocinadores, com o carro totalmente preto, mas não é pior do que aconteceu depois:

Perry McCarthy, a 30s dele...

Uma chuva tinha deixado a pista úmida de madrugada, e McCarthy teve que ceder algumas peças para o Roberto Moreno e teve que esperar Moreno marcar um tempo para ele correr. Quando McCarthy saiu, a pista já havia secado e ele estava com pneus de chuva! Então, lá foi McCarthy tirar um bom tempo com pneus de chuva no seco!

... e a 12s dele (!)
Moreno até que andou bem, ficou a 2s de Andrea Chiesa, na Fondmetal, mas McCarthy... ficou a 30s do pole positon, Nigel Mansell e a 12s do pole da Formula 3000, Rubens Barrichello (!).




sábado, 7 de abril de 2012

Andrea Moda: Parte 4

Continuamos a serie da Andrea Moda, hoje falando sobre a sobrenatural atuação de Roberto Moreno no GP de Monaco de 1992, mais conhecido como ''O Milagre de Moreno''.

Depois dessa, Roberto Moreno deveria ser canonizado.

Sinceramente, nunca achei que iria escrever isso, mas finalmente a Andrea Moda se endireitou após o GP da Espanha!!!. Em Imola, Moreno ficou 7 segundos atras do pole, Nigel Mansell, e Perry McCarthy estreia decentemente, porem, pouco mudou, a Moda não saía das ultimas posições.
Mas o principal vem aí:

GP de Monaco de 1992, todos se lembram dessa...
GP de Monaco de 1992, quem puxar da memoria, se lembra da fenomenal disputa entre Ayrton Senna e Nigel Mansell, nas ultimas voltas, mas quem gosta do lado alternativo da Formula 1 vai se lembrar da atuação sobrenatural de Roberto Moreno, ele conseguiu a proeza de alinhar a Andrea Moda no grid!!!! Com esta atuação mítica e todas as entidades direcionando o poder para a Andrea Moda nº34, Moreno desbancou Ukyo Katayama e Andrea Chiesa, sendo o único piloto da equipe a pilotar o carro por mais de um dia seguido. Alias, a Andrea Moda tinha a dupla de pilotos mais desprovida de cabelo da historia do automobilismo.

...mas a atuação mais incrível (na minha opinião) foi esta.
Com uma volta rápida digna de campeão mundial, ele fez o milagre de por o carro negro da Andrea Moda no grid, deixando muitos carros para trás (ele se classificou para o ''pelotão'' do meio), o que era impossível, parecia virar realidade, parecia...
Após algumas voltas, o carro apresentou alguns problemas mecânicos (de se esperar), porem, Moreno conseguiu levar o carro até os boxes, fora feitos alguns reparos (tiraram algumas peças do carro do McCarthy e colocaram no carro do Moreno), suficientes para voltar para os treinos. Se classificou para a ultima posição, porem, era muito mais do que a equipe esperava.

Tira água de pedra
Já na corrida, houve os problemas que deveriam acontecer na pré-qualificação, o motor correu muito no fim-de-semana, ele iria quebrar uma hora ou outra. Moreno largou em 26º, algumas voltas depois, já estava em 19º, pois muitos abandonaram, mas o motor não iria durar muito, na volta 12, o motor Judd se foi, olha que ele estava tirando tudo do carro. Mesmo assim, Moreno foi mais rápido que Gabriele Tarquini na Fondmetal.

Fondemetal: mais lenta de a Andrea Moda
 A Andrea Moda vai se endireitar, Moreno fara outra atuação sobrenatural, a Fondmetal vai ficar mais rápida que a Andrea Moda de novo, eu vou continuar escrevendo isso, só descobriram isso no próximo capitulo da novela ''Andrea Moda''.






sábado, 24 de março de 2012

Andrea Moda: Parte 3

Continuamos a series da Andrea Moda, hoje com a meteórica estreia de Perry McCarthy na Formula 1, mais conhecido como ''Os 18 Metros de Barcelona''.

Vai McCarthy!!!! Empurra!!!!!!!
Finalmente Perry McCarthy foi estrear na Formula 1. Após ter sua Super-Licença cassada no Brasil, o piloto inglês iria estrear no GP da Espanha. Ele estava pronto para correr, mas a Moda estava pronta?
Enrico Bertaggia queria voltar para a equipe, tanto que ofereceu $ 1 milhão para a equipe, o que era bom para um equipe que já nasceu falida. Sasseti cogitou a vinda do piloto italiano para a equipe, porem a FISA não autorizou, pois já tinham feito mudanças de mais na equipe.

Moreno atestando a qualidade do motor Judd
A equipe não tinha orçamento para dois pilotos (mal tinham para um), então o carro de Perry McCarthy, era utilizado como ''carro logístico'', as peças deste carro eram retiradas para colocar no carro de Roberto Moreno. Mesmo assim não valia de muita coisa, já que o motor Judd GV não aguentava uma volta.
Sexta-Feira, de manhã. Começa as pré-qualificações, os guerreiros que iriam disputara a tapa (ou melhor, a volta) uma vaga na qualificação, seriam Roberto Moreno e Perry McCarthy (!) na Andrea Moda, Bertrand Gachot e Ukyo Katayama na Larrousse, Micehele Alboreto na Footwork e Andrea Chiesa na Fondmetal.
Os Venturi LC92, Footwork FA13 e Fondmetal GR01 andavam bem (para uma pré-qualificação) mas o Andrea Moda S921...  Roberto Moreno saíu por primeiro, fez algumas curvas, até o motor Judd abrir o bico. Mas como a lei de Murphy diz: ''não ha nada tão ruim que não possa piorar''.

Porque sempre tem como piorar (ou não?)
O carro nº35, de Perry McCarthy só ficou pronto no meio da pré-qualificação, deixando o piloto muito nervoso (não mais do que ele iria ficar alguns instantes depois). Finalmente, carro pronto, McCarthy no cockpit, foi dado a partida no motor Judd V10, porem no ronco inicial, o motor produziu um labareda de fogo no escapamento. Perry engatou a 1ª marcha e ''taxiou'' dos boxes, o carro soltou de traseira, mas isso foi resolvido com um contra-esterço. O ronco do motor estava ficando estranho e piorava, até chegar a 18 metros da saída do pit-lane, o ronco cessou e o carro ficou totalmente inerte, a 18 metros da saída do pit-lane.

Qualquer um fica desolado nessa situação
Perry McCarthy, sem entender nada do que estava acontecendo a sua volta, os comissários tentaram empurrar o carro para fora dos pits, não deu certo. Perry McCarthy tentou empurrar o carro para os boxes, foi interrompido pelos mesmos comissários que tentaram empurrar o carro para a pista. Como não deu certo a estreia de McCarthy, retiraram alguma peças do carro do piloto inglês para colocar no carro de Roberto Moreno, que conseguiu dar algumas voltas, mas não deu muito certo, Moreno ficou a 10s de Andrea Chiesa, que era o ultimo colocado.

Terminada esta parte, a proxima será sobre o ''Milagre de Moreno'' em Monaco.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Ayrton Senna

Hoje Ayrton Senna faria 51 anos. Nascido em 21 de Março de 1960, o piloto é até hoje, 18 anos após sua morte, um dos mais conhecidos pilotos de Formula 1 da historia. Teve uma carreira surpreendente, desde o começo.

Eu achei esta foto em um dos grupos que tenho no Facebook, e mostra bem as duas coisas que mais gosto, Aeronáutica e Automobilismo. 

                                                                                1987
                                   Ayrton Senna (Col. Silvio Potengy), Força Aérea Brasileira
                                 Northrop F-5B Freedom Fighter, General Electric J85-GE-21B
                                        Base Aerea de Santa Cruz, Santa Cruz-RJ, Brasil
                                                                  (clique para ampliar)

Ficou a lá F1 Nostalgia

sábado, 10 de março de 2012

Andrea Moda: Parte 2

Parte 1: aqui

Continuamos com a epopeia da Andrea Moda na Formula 1, hoje falando sobre o ''novo'' carro da Andrea Moda, o S921. Decididamente, um dos piores carros da historia dos grids de Formula 1, e sua estreia, em terras tupiniquins.

O Andrea Moda S921.
O carro foi apresentado em duas semanas após o requerimento da Andrea Moda, havia alguns problemas de peças soltando, nada que algum Silver Tape não resolva. O carro estava pronto para ir para o Mexico, mas, por uma boa decisão de Sasseti, pulou a etapa do Mexico e foi direito para a etapa no Brasil.

''Não há nada que Silver Tape não resolva''
 Porém, qualquer esperança do carro ir para a pista em perfeito estado, funcionando, foi para o saco quando fizeram os treinos em Interlagos. As coisas já começaram a desandar já na quinta, o segundo piloto da equipe, Perry McCarthy, teve a Superlicença cassada pela FISA, somente o mito, Roberto Moreno, foi para a pista, foi melhor para a equipe, já que a equipe não tinha equopamento e provisão basica sequer para um piloto.

E agora Moreno? Ta vendo a coisa ficar feia
Para ter uma ideia do estado da equipe, reza a lenda que os mecanicos da Andrea Moda, saiam e entravam do autodromo, dentro de uma Kombi, em busca de peças para o carro, mas o esforço foi em vão, na primeira saída dos boxes, o cambio saíu na mão de Moreno.
Na manhã de sexta aconteceria a pré-qualificação, disputada como eu disse no ultimo post, o Andrea Moda de Roberto Moreno iria disputar a vaga na qualificação com Bertrand Gachot e Ukyo Katayama na Venturi, Michele Alboreto na Footwork e Andrea Chiesa na Fondmetal. Obviamente a Andrea Moda perdeu feio, Roberto Moreno ficou a 15s de distancia do ultimo colocado, mesmo tirando tudo do carro.

Bonito pelo menos, o carro era.
Mas, há coisas mais bizarras nessa historia, com pouco dinheiro, Sasseti conseguiu um bom negocio com a Churrascaria Fogo de Chão, que em troca de ter seu logotipo divulgado nos macacões dos pilotos, fazia a comida para toda a equipe.
Aqui termina a esta parte (são 7), mas vem mais, com a ''grande'' estreia de Perry McCarthy na Formula 1.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Andrea Moda: Parte 1

Esta foi a serie de postagens que deu mais certo no antigo Racing Team, fui usando como base as postagens que Rianov Albinov fez para o Motorpasion, (na qual se querem ver, estão aqui) mais algum no Wikipedia. Fiz algumas modifcações do texto original (do Racing Team), que foi postado em 25 de maio de 2011. Então vamos a o texto:


Com o meu tempo de estudo no automobilismo, sei de muita coisa engraçada, a Historia da Life Racing Engines, mais a mais mítica (na minha opinião)é sim a da Andrea Moda: 




Tudo começou quando Enzo Coloni, vendeu sua equipe, a Coloni (outra historia boa, para quem não sabe, já escrevi sobre a Coloni, o link é aqui.) para um estilista chamado Andrea Sasseti, até ai, normal, já que vender espolios de equipes falidas na Formula 1 é coisa mais normal do mundo, porem, Coloni não sabia que daqui para frente, sua equipe viraria um mito, bem por ser muito ruim. Bem dizendo que não faria diferença alguma, a Coloni era famosa por sequer pré-qualificar seus carros.


Pedro Chaves pilotando a Coloni-Ford C4, em 1991.
Mas já sabemos a historia da Coloni, vamos a historia da Andrea Moda. Andrea Sasseti pagou 8 milhões de libras esterlinas pelo espolio da equipe, vindo também, três chassis Coloni C4B, e alguns motores Ford Cosworth DFR, nada muito competitivo, sendo a Coloni uma equipe pequena, era o que tinham. Sasseti tinha conversado com o pessoal da Dallara, para trocar os velhos Ford Cosworth DFR, por motores Dallara Judd GV (''ótima troca, hein Sasseti''). Com isso a equipe estava na pratica pronta. Mas, e agora?


Antonio Tamburini pilotando a Andrea Moda-Judd C4B no Bologna Motor Show de 1992.
A primeira aparição da Andrea Moda foi no Bologna Motor Show de 1992 (uma corrida indoor, somete com os carros de ''fundo de grid'', tem alguns videos no You Tube, recomendo que vejam.), o piloto era Antonio Tamburini. A  Moda não foi tão mal, passou a primeira rodada, mas acabou batendo na Minardi de Gianni Morbidelli e abandonando.


Alex Caffi nos treinos do GP da Africa do Sul, dá para fazer um antes e depois na Coloni.
Para a temporada de 1992, Sasseti colocou Alex Caffi e Enrico Bertaggia, ambos pilotos bem experientes no fundo do grid. Alex Caffi conseguia de vez em nunca qualificar sua Footwork e Enrico Bertaggia fazia o mesmo com a Coloni em 1989 (percebam a coincidencia).


Isso foi o maximo que Alex Caffi conseguiu fazer pela Andrea Moda, culpa da taxa.
Começa a temporada de 1992, Grand Prix da Africa do Sul, em Kyalami, não havia GP na Africa fazia 6 anos, aquele ano a pré-qualificação seria disputada, com varias equipes disputando a tapa uma vaga na qualificação, porém a Andrea Moda só participaria dos treinos livres de quinta (que ficou a 20s mais lento que os outros carros do grid), poís a FISA não a deixou correr, mas porque?


Caffi tentou tirar tudo da antiga Coloni, mas pouco pode fazer.
A FISA exigiu uma taxa de inscrição da Andrea Moda, algo em torno de $100.000, Sassetti ''se pirou'', argumentou que a Andrea Moda descendia da Coloni, e um monte de ''colóquios sonolentos para gado bovino repousar'', a FISA não caiu nessa e não deixou a Moda entrar na pista sem pagara bendita taxa. Sasseti se viu feio, e pagou a contra-gosto. Deve ter pensado: ''Não paguei uma taxa dessas para correr com duas Colonis velhas, vou dar um jeito de arrumar algo novo''.


O Moreno era um mito, para conseguir pilotar um carro desses.
  Andrea Sasseti decidiu reformular toda a equipe, começando pelos pilotos, que foram substituidos, Saíram Alex Caffi e Enrico Bertaggia, entraram Roberto Moreno e Perry McCarthy (a dupla de pilotos mais careca da historia do automobilismo), e contratou Nick Wirth, dono da Simtek Engineering (ainda vou escrever sobre esta equipe), que tinha dois carros sobrando para 1992, seriam os BMW S192, que iriam para a BMW Motorsport, mas acabaram sendo reprovados pela equipe de engenheiros da BMW, que deram fim a equipe. A BMW recusou, a Andrea Moda aceitou. Wirth pegou o carro, fez alguns ajustes duvidosos em muito pouco tempo e saíu um dos piores carros de Formula 1 da historia, o Andrea Moda S921. Foram para o Mexico, mas sequer montaram os carros, arrumaram as malas e foram para o Brasil. E no Brasil, proximo post saberemos.